ἡ ἀρετὴ ἐν τῷ μέσῳ ἐστίν, τὰ δ᾽ ἄκρα κακίαι.
Αριστοτέλης
“Virtus in medio stat; extrema vitia sunt“. Da tradução livre do latim: “A virtude está no meio; nos extremos, o vício“. A frase foi cunhada há mais de 2.300 anos pelo filósofo grego Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.) em seu livro “Ética a Nicómano“. No destaque, está a transcrição da frase em grego moderno. No universo das Finanças Pessoais, ela permanece extremamente atual, nomeadamente no que toca ao uso do dinheiro.
Poupar ou “Aproveitar a Vida”?
Para algumas pessoas, poupar significa simplesmente não gastar. Desse modo, abstêm-se de dispender recursos financeiros em qualquer coisa que não seja o estritamente necessário para a subsistência. Acumulam dinheiro, no eterno temor de que “não se sabe o dia de amanhã” e que “algo de muito ruim pode acontecer“. Têm grande capacidade de Poupança, mas esta não é utilizada para gerar conforto, é simplesmente uma acumulação de recursos estéril e sem objetivo.
No outro extremo, está o indivíduo que afirma que “só se vive uma vez” e que “o dinheiro está aí para ser gasto“. Na maioria das vezes, sobrevive de dívida em dívida, de crédito em crédito, apenas para usufruir de recursos e experiências muito acima da sua capacidade financeira. Está sempre em Dificuldades Financeiras, mas não abdica de todos os prazeres que o dinheiro (que ele não tem) pode proporcionar. Ambos caem em erros de igual gravidade, mas em sentidos opostos.
Nem Scrooge nem Micawber
Na literatura mundial, alguns personagens nos mostram, na maioria das vezes de forma caricata ou exagerada, estas duas formas de pensar. No romance David Copperfield, do escritor britânico Charles Dickens (1812 – 1870), o personagem Mr. Micawber é um caso particularmente interessante: vive sistematicamente acima das suas possibilidades, contrai dívidas constantes e é otimista patológico quanto à entrada futura de dinheiro. Talvez o exemplo mais próximo do “gastador imprudente crónico”.
O mesmo escritor nos brinda com o outro extremo: Ebenezer Scrooge, do conto A Christmas Carol, vive obcecado pela acumulação de riqueza, evita despesas ao extremo, mesmo as socialmente esperadas, e subordina relações humanas ao cálculo financeiro. É a epítome do somítico e forreta da ficção literária. Nem um nem o outro representam a forma mais virtuosa de gerir as Finanças Pessoais.
A Virtude Está no Meio
Entretanto, como dizia Aristóteles, “a virtude está no meio; nos extremos, o vício“. Se, por um lado, desbaratar os recursos financeiros para desfrutar da satisfação imediata é desastroso, agarrar-se a uma “poupança” exagerada é igualmente prejudicial. Não devemos descuidar de ter recursos disponíveis como um Fundo de Emergência. Mas também não devemos nos limitar a uma vida vazia de fruição, optando por guardar dinheiro apenas por guardar.
O que devemos buscar é o equilíbrio entre um Orçamento Doméstico saudável e robusto e a possibilidade de desfrutar da segurança que ele proporciona. Atitudes ponderadas como evitar a compra por impulso, pesquisar preços (inclusive de atividades lúdicas e recreativas) e planear os gastos proporcionam o equilíbrio necessário entre a Segurança Financeira e o Conforto que esta nos traz.
Referências
Artigo neste website: Fundo de Emergência
Mais um artigo pertinente: Relação Custo x Benefício: a “compra ótima”
Biografia de Charles Dickens: Charles Dickens – Wikipédia, a enciclopédia livre


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